sobre curadoria

04.14.2018

 

 

 

14.04_Solange Farkas,
21.04_Mirtes Marins de Oliveira, 
28.04_Fernando Oliva, 
05.05_Cauê Alves e 
12.05_Martin Corullon 

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Conceito

A série sobre curadoria do projeto Marieta entende curadoria de forma ampliada: a atribuição de significados para a produção cultural, pressupondo arranjos, aproximações, recortes, deslizamentos, confrontos, diálogos, dissonâncias entre objetos e procedimentos dispersos pelo campo social, mas que podem (e são) apreendidos como objeto de estudo e interesse pelos campos específicos e demarcados como artes plásticas, arquitetura, cinema, fotografia etc. Assim, a curadoria não é entendida apenas como organização de exposições, mas como projeto curatorial que envolve discussões, edições, situações.

Os profissionais convidados, com experiências e vivências distintas, enfrentarão aspectos diversos da área curatorial. As apresentações abordarão questões teóricas, técnicas e artísticas, sempre amparadas por exemplos concretos e tendo como pauta as práticas dos profissionais. Ao final de cada apresentação haverá uma conversa com o público.

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Formato

O curso conta com cinco palestrantes que se apresentarão em cinco encontros de três horas cada, totalizando quinze horas. O público alvo é variado: alunos de cursos graduação e pós nas áreas da cultura, jovens profissionais, em especial curadores, artistas e arquitetos, interessados de todas as idades etc. Um mínimo de 14 alunos inscritos no curso será necessário para viabilizar economicamente sua realização.

Ao final da série de conferências, os alunos que participarem de ao menos quatro seções receberão um atestado de participação no curso, emitido pelos parceiros do Marieta. É possível a participação avulsa em uma ou mais seções; nesses casos, porém, não será concedido atestado de participação no curso.

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Cronograma

A aulas ocorrerão sempre aos sábados, das 10h às 13h, no espaço Marieta, localizado na Rua Maria Paula 96, 2o andar. 

As datas, palestrantes, títulos e conteúdos das aulas são os seguintes:

14 abril / Solange Farkas
"A trajetória do vídeo no contexto das artes visuais: três décadas de Videobrasil"

O encontro apresenta ao público a evolução do vídeo como suporte e sua inserção no universo das artes visuais como linguagem e expressão artística. Uma seleção de obras que participaram do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil será apresentada, demonstrando a trajetória curatorial do Festival em consonância com os contextos culturais, artísticos e tecnológicos.

21 abril / Mirtes Marins de Oliveira
"Histórias das Exposições em debate: anotações para um desenho do campo"

O encontro apresentará um breve desenho do campo denominado “História das Exposições” e suas relações com o grande campo da História e Historiografia, assim como com algumas das práticas específicas no âmbito da História da Arte e Curadoria. Serão apresentados e, em alguns casos, disponibilizados os textos fundantes e algumas abordagens investigativas que colaboram para a construção de novas pesquisas. Serão abordados de forma crítica alguns dos autores e iniciativas que buscam ampliar a noção de exposição e quais elementos podem construir sua abordagem interpretativa.

28 abril / Fernando Oliva 
"Curadoria, censura e reencenação de exposições no Brasil"

Apesar dos episódios recentes de constrangimento e repressão a exposições no Brasil, a censura a mostras de arte não é fenômeno novo no Brasil, como mostra as histórias da Bienal de São Paulo e da Bahia nas décadas de 1960 e 1970, bem como casos como de Nelson Leirner no final dos anos 1990. Os questionamentos do passado talvez tenham algo a ensinar ao sistema brasileiro de arte da atualidade: de que maneira evitar o medo e a autocensura? O retorno e a retomada, por meio de uma reencenação de um evento ou exposição, é um caminho possível para superar antigos traumas e seguir adiante? A palestra procurará ainda mostrar que se trata de um mito a noção comumente aceita de que, durante a ditadura, as artes visuais sofreram menos em comparação aos campos da música, cinema e teatro.

05 maio / Cauê Alves
"Curadoria como historicidade viva"

A palestra irá abordar a curadoria como possibilidade de construção de uma historicidade viva. O modo como o curador pode contribuir para revelar outras perspectivas, assim como abordar os trabalhos de arte como originários, apontando relações inéditas com a tradição e incitando uma posteridade. A curadoria como incompletude e como experiência viva no interior do trabalho suscitando experiências inesperadas. Algumas ações institucionais serão abordadas como ampliação do campo de reflexão sobre a prática da curadoria.

12 maio / Martin Corullon
"Curadoria e espaço expositivo"

Através de exemplos de exposições projetadas pelo escritório Metro Arquitetos, a apresentação trará à discussão um panorama variado das possível abordagens curatoriais e expográficas da relação entre as obras e o espaço configurado para sua exposição.

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Sobre os palestrantes

Cauê Alves é doutor em Filosofia, professor do Departamento de Arte da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP e do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Atualmente é curador geral do MuBE. Foi um dos curadores do 32º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2011) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011). Foi membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM/SP (2005-2007) e curador do Clube de Gravura do MAM/SP (2006-2016). É autor do livro Mira Schendel: avesso do avesso e da mostra homônima (Bei Editora/ IAC, 2010). Foi curador assistente do Pavilhão Brasileiro da 56a Bienal de Veneza (2015). Foi co-curador da mostra Sergio Camargo: luz e matéria, no Itaú Cultural e Fundação Iberê Camargo (2015; 2016)

Fernando Oliva é pesquisador, curador e docente, doutor em Crítica e História da Arte (ECA-USP). Fez parte da equipe de curadoria da 3a Bienal da Bahia – é tudo nordeste? e atuou como Diretor de Curadoria do Centro Cultural São Paulo e Gerente de Projetos do Paço das Artes, cargo que também ocupou no Museu da Imagem e do Som. Atualmente integra a direção artística do Masp e é professor no curso de artes plásticas da Faap. Entre os projetos recentes de que participou como curador e autor, publicando ensaios nos respectivos catálogos das exposições, estão: Maria Auxiliadora: vida cotidiana, pintura e resistência, Histórias da infância, Carla Zaccagnini: histórias feministas, Thiago Honório (trabalho) e Pedro Correia de Araújo: erótica, todos no Masp.

Martin Corullon é arquiteto e urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP, atualmente desenvolvendo doutorado pela mesma instituição. Em 2000, funda o escritório Metro Arquitetos Associados, com o qual atua em projetos em diferentes escalas, de instalações temporárias a intervenções urbanas. O escritório tem projetos ligados principalmente à área cultural e obras concluídas para a Fundação Bienal de São Paulo, Nestlé, Votorantim, Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo, Casa Triangulo e Itaú. São próximas ao grande público, entre outros, a expografia da 30ª Bienal de Arte de São Paulo, projeto pelo qual ganhou o prêmio APCA 2012. Desde a fundação mantém intensa parceria com o Arquiteto Paulo Mendes da Rocha com quem desenvolveu, entre outros, o projeto para o Cais das Artes, conjunto arquitetônico composto por um museu de arte e um teatro, em Vitória, ES e a Galeria Leme, em São Paulo.

Mirtes Marins de Oliveira, mestre e doutora em Educação, História e Filosofia, é pesquisadora na Pós-Graduação em Design da Universidade Anhembi Morumbi. Idealizou e coordenou o curso de Mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina – FASM. Para a mesma instituição, coeditou, com Lisette Lagnado, a publicação Marcelina. Curadora de Contra o estado das coisas – anos 70” (Galeria Jaqueline Martins, 2014), Arte para todos! Liberação e consumo (Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto) e Especular (Galeria Jaqueline Martins, 2018). Participa, em 2015, do livro Cultural Anthropophagy: The 24th Bienal de São Paulo 1998, da coleção Exhibition Histories, da editora inglesa Afterall com texto sobre a recepção crítica da mostra. Escreveu em 2013 e 2014 para revistas Select e Afterall Online. Organizou, com Fabio Cypriano, o livro Histórias das exposições: casos exemplares (Educ, 2016).

Solange Oliveira Farkas é curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil. Criou o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil em 1983 e foi diretora e curadora-chefe do Museu de Arte Moderna da Bahia entre 2007 e 2010. Participou como curadora convidada da 10ª Bienal de Charjah (Emirados Árabes Unidos, 2011), 16ª Bienal de Cerveira (Portugal, 2011), 5ª Videozone – International Video Art Biennial (Israel, 2010), FUSO – Mostra Anual de Videoarte (Portugal, 2011-2014 e 2017) e 6º Festival Internacional de Vídeo de Jacarta (Indonésia, 2013) e da Dak’Art - Biennial of Contemporary African Art (Senegal, 2016). Farkas participou também como jurada convidada da 10éme Rencontres de Bamako e Bienal Africana de Fotografia (Mali, 2015). Atualmente é membro do comitê de jurados do EYE Art & Film Prize de Amsterdam, integra o Comitê de Premiação do Prince Claus Fund Award 2017 e o conselho consultivo do espaço de arte Pivô, em São Paulo. Em 2017, foi contemplada com o Montblanc Arts Patronage Award, prêmio da fundação alemã destinado a profissionais com trajetória de destaque no apoio ao desenvolvimento das diversas expressões artísticas e culturais.
 

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