Audições Marieta | o degelo metálico - a música de Bon Iver

04.27.2017

 

BREVE SINOPSE PARA OS QUE ANDAM DE PRESSA
com curadoria da italiana Guia Cortassa (pronuncia: Gúia) uma viagem sonóra através da produção musical da banda Bon Iver - liderada por Justin Vernon - uma das mais influentes no panorama independente internacional.
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texto curatorial integral no fim da descrição
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[entrada gratuita]
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19h – abertura
19h30 – audição
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SOBRE AS AUDIÇÕES
ouvir música nunca foi uma ação tão solitária quanto é hoje. a facilidade de acesso à produção musical e ás tecnologias de reprodução teve como uma de suas consequências o fim das sessões de audição coletiva. há anos, nos encontrar na casa de um amigo para ouvir o cassete que chegou do exterior ou nos sentarmos em volta do único toca-discos do bairro deixou de fazer parte de nossa realidade.
amamos a música; acreditamos que seja uma parte fundamental da nossa existência e, também por isso, queremos voltar a compartilhar este momento com outras pessoas. Assim, convidamos curadores nacionais e internacionais a fazer seleções temáticas de músicas e compor playlists para apreciarmos, juntos, aqui no Marieta.
cerveja, silêncio e máxima liberdade para que cada um possa construir seu espaço íntimo de atenção, mas em experiência compartilhada.
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TEXTO DE CURADORIA
O Degelo Metálico – a música de Bon Iver

A história é hoje lenda: era 2007 quando, depois do fim de uma relação e a dissolução da sua banda, Justin Vernon, sem casa e de volta á sua terra de origem no Wisconsin, imenso interior dos EUA, resolveu mudar-se para uma barraca de madeira nos bosques de seu pai. Neste período de isolamento nasceu um dos discos mais representativos dos anos Zero “For Emma, Forever Ago”. O disco era basicamente um revival folk-rock, mas por entre as cordas do violão, sufocadas pela neve, e o silencio das noites invernais, rompido pelo lamento de um coração que sofre, já era possível encontrar a semente da revolução sonora que a musica de Bon Iver viria a experimentar nos anos seguintes.


A trajetória musical atravessa três discos (e um EP), uma trilogia de descoberta e transformação, feita por contaminações eletrônicas, sons sintéticos e relações humanas, que conduziu o cantor americano a sair de si para alcançar multidões, passando pelo espaço psico-geografico das paisagens majestosas do Midwest.


Os primeiros dois capítulos desta discografia foram acolhidos e apreciados por critica e publico no mundo todo, mas o mesmo não pode ser dito sobre o ultimo dos três discos de Bon Iver, “22, A Million”, lançado em setembro de 2016 depois de cinco anos de silêncio. 
Uma obra complexa, que dissolveu as certezas de quem se apaixonara do coração aos pedaços cantado em “Skinny Love” – no primeiro disco – e da álgida aventura no pântano de “Towers” – no segundo -, mas que já tinha dado um primeiro sinal de vida na colaboração com outro gênio do Midwest, Kanye West, no vocoder da faixa “Woods”.


“22, A Million” nasce novamente do sofrimento e da vulnerabilidade de um ser humano, mas que, desta vez, não olha para o coração mas sim para a mente, para as pessoas, aos outros. As guitarras sutis e leves deixaram espaço para uma complexa estratificação de samples e sons digitais. A necessidade de por uma distancia entre o artista e a “louca multidão” se traduz em uma imensidão de filtros, como escudos ou armaduras. O esforço é tanto que Justin chegou a inventar um novo sintetizador que permite a modulação de sua voz ao vivo. “Faces are for friends – Friendship is for safekeeping – Family is everything” (Rostos são para amigos – Amizade é para preservação – Família é tudo) é o mantra que Vernon escolheu para este disco. Um pensamento que atravessa as 10 faixas do disco, desde a dureza do sentimento de finitude em 22 (OVER S∞∞N), até se dissolver na doce abertura de dias sem numero em “00000 Million". Como o gelo nos dias de sol de um inverno que parecia infinito, a armadura a pouco a pouco fica mais fina, até mostrar a terra, fértil, pronta para retomar a vida.


A seleção que proponho traça exatamente este percurso, começando por “Skinny Love” – relíquia antiga do primeiro Bon Iver, mas patrimônio dos talent show do mundo todo – e tentando evidenciar todas as passagens fundamentais que levaram a concepção de “22, A Million”: a estratificação de vozes em “The Wolves”, a estrutura construída entorno ao silencio em “Creature Fear”, o vocoder de “Woods”, a potencia dos instrumentos em “Minnesota, WI”, a aura pop de “Beth/Rest” até a reprodução integral do ultimo disco, que espero chegue a ser, depois deste percurso, mais acessível e claro para todos vocês.

Guia Cortassa

 


 

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